Fim do disco? 9 milhões de brasileiros vão perder forma preferida de comprar jogos

E ninguém perguntou nada para eles, indaga Lucas Patricio. 'Videogames estão menos pensados para quem joga'
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Imagem: Reprodução

O que eu gostaria de adicionar à notícia de que a Sony vai encerrar a produção de jogos físicos a partir de 2028 é simples e objetivo: videogames estão ficando cada vez menos pensados para quem joga. Segundo a Pesquisa Game Brasil, 56,5% dos brasileiros se preocupam em perder o acesso a jogos comprados digitalmente, somando quem se preocupa ‘muito’ e ‘um pouco’.

Ainda que empresas como a Capcom tenham aproximadamente 90% de suas vendas provenientes de jogos digitais, mais de 30% dos brasileiros compram jogos físicos – uma diferença significativa considerando que o Brasil tem entre 25 e 30 milhões de jogadores de consoles (estimativa a partir do cruzamento de dados da PGB).

Ou seja, se aplicarmos 30% de preferência por jogos físicos em cima dos aproximados 30 milhões de jogadores de consoles, 9 milhões de gamers no Brasil ficarão sem sua opção principal de compra de jogos a partir do momento em que a Sony desligar as máquinas.

Segundo o analista Daniel Ahmad (da consultoria Niko Partners), foram vendidas quase 70 milhões de cópias físicas de jogos de PlayStation globalmente em 2025. Pois é, não parece fazer sentido. E o meu ponto não é nem sobre a relevância do faturamento de mídia física versus a mídia digital, e sim sobre a ausência de opções.

A discussão entrou rapidamente na esfera política quando a deputada Erika Hilton pediu investigação sobre o fim da mídia física, e também argumentou sobre o modelo de negócios de licenciamento de acesso dos jogos comprados:

“É grave também a questão da posse do jogo. Os jogos em mídia digital, na maioria esmagadora dos casos, não são ‘vendidos’. Eles são ‘licenciados’ para o consumidor mediante pagamento”, escreveu a deputada em seu comunicado. Isso poderia parecer até exagero se a própria Sony não tivesse removido 550 filmes das contas dos usuários, por fim de licenciamento com a StudioCanal, dias antes do próprio anúncio dos discos.

Quem vai garantir que o direito de um jogo que você pagou vai expirar e a Sony, ou qualquer outra empresa, vai simplesmente remover o seu acesso? 

O mercado de games vive uma eterna ressaca da festa que deu e convidou o mercado financeiro, quando ainda vivia o auge do seu crescimento inorgânico após a pandemia. As tentativas de ajuste de rotas todas levam a um cenário onde o consumidor é o principal afetado, seja pelos constantes aumentos de preço ou pela ameaça aos seus direitos básicos.

Em um mundo onde o mercado dita o que faz sentido à partir do crescimento de capital e não dos interesses dos consumidores, a única alternativa dos jogadores é lutarem por uma regulamentação firme – já existentes em outros mercados, principalmente na Europa – para impedir excessos.

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