Com doze indicações e nove prêmios, Clair Obscur: Expedition 33 é o maior vencedor do The Game Awards deste ano – e ajuda a contextualizar o status da indústria em 2025.
Foi o primeiro jogo da Sandfall Interactive, estúdio formado por alguns desenvolvedores veteranos que saíram da Ubisoft após a pandemia. Eles decidiram criar o game que gostariam de jogar: um RPG por turnos que homenageia a era de ouro do gênero, com direito a mapa-múndi e chefes secretos – além de não se levar a sério demais.
Essa, definitivamente, não é a fórmula de sucesso que os grandes investidores têm seguido nos últimos anos. Parte da história da Sandfall, no entanto, não é novidade; na última década, vários novos estúdios foram formados por ex-desenvolvedores de grandes empresas, como Blizzard, Respawn, EA, entre outras.
A diferença é que, enquanto alguns desses veteranos atraíram investidores para fazer jogos como serviço – como Highguard, jogo de tiro em primeira pessoa gratuito de desenvolvedores que trabalharam em Apex Legends -, outros trilharam um caminho diferente.
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Tentando seguir a cartilha de Fortnite, dezenas de empresas torraram dinheiro, inflacionaram o mercado e foram parcialmente responsáveis pelo estado caótico da indústria nos últimos anos. Concord, Hyper Scape, CrossfireX, Anthem, Suicide Squad: Kill the Justice League são apenas alguns exemplos de grandes fracassos recentes. Sem contar as dezenas de cancelamentos milionários.
Enquanto isso, os últimos vencedores do The Game Awards mostram que existem alternativas: Baldur’s Gate III em 2023 e Astro Bot em 2024 se juntam a Clair Obscur como exemplos de excelência em uma indústria que suplica por um modelo sustentável.
Mas, não sejamos ingênuos. Clair Obscur vendeu 5 milhões de cópias até outubro deste ano, marca extremamente respeitável, mas que passa longe das cifras de jogos como Battlefield 6, que vendeu mais de 7 milhões somente na semana de lançamento. E estou tentando manter essa comparação justa usando dois jogos “tradicionais” lançados no mesmo ano.
Se ampliarmos a comparação para outros modelos e plataformas, fica ainda mais simples de entender a ganância capitalista invadindo o mercado.
É fácil concluir, então, que premiação não garante sucesso financeiro, mas é um prestígio importante que ajuda a ajustar a bússola de um mercado que ainda tem a maior parte do seu faturamento global vindo de jogos como Clash Royale, Brawl Stars, Honor of Kings, Candy Crush, Monopoly Go e muitos outros que, com raras exceções, continuam de fora de premiações como o The Game Awards.
Prestígio não necessariamente traz dinheiro e o inverso também é verdade.




