A Razer está se esforçando para tornar o Brasil em seu maior mercado na América Latina – posição que o País já ocupou no passado, mas que perdeu ao longo da pandemia. E parte da estratégia passa por aumentar o time local, trazer mais lançamentos ao País e apostar em serviços como o Razer Gold.
É o que revelam em entrevista ao The Gaming Era dois dos principais executivos da empresa para a região – o vice-presidente de marketing e vendas para as Américas, Bob Ohlweiler, e o vice-presidente assistente e head global de Razer Gold, Adisorn Phonnarut. Ambos responderam as nossas perguntas por e-mail.
“O Brasil deveria ser o nosso maior país na América Latina, mas vimos uma desaceleração após a covid. E, no ano passado, assumimos o compromisso de trazer o Brasil de volta ao primeiro lugar para a Razer”, explica Ohlweiler.
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Apesar da disposição em aumentar as vendas da Razer no País, o que inclui também o lançamento de serviços como o PC Remote Play, os executivos desconversam quando o assunto é trazer os notebooks da marca ao País, apesar do mercado aquecido no qual estão diversos concorrentes da empresa. “Avaliamos continuamente se o nosso negócio de notebooks é adequado para o Brasil; mas no momento não temos planos”, diz o executivo.
Confira a nossa conversa:
The Gaming Era: Em termos gerais, qual a importância do Brasil na estratégia global da Razer? Já somos um dos maiores mercados para vocês ou ainda há muito espaço para crescimento antes que isso possa ser dito?
Bob Ohlweiler: O Brasil é muito importante para a Razer e tem sido assim desde que a empresa se expandiu para a América Latina. A Razer adora o jogador brasileiro, ele personifica o nosso ideal e reflete os nossos valores: fanático por eSports, apaixonado e com sede de vitória.
O Brasil deveria ser o nosso maior país na América Latina, mas vimos uma desaceleração após a covid. E, no ano passado, assumimos o compromisso de trazer o Brasil de volta ao primeiro lugar para a Razer.
Contratamos mais funcionários, um novo distribuidor e aumentamos o marketing. Estamos ansiosos para ver o sucesso.
TGE: Falando nisso, vocês têm uma equipe relativamente grande no Brasil. Isso indica a importância do mercado ou apenas a complexidade de operar aqui?
Ohlweiler: Temos aumentado continuamente nossa equipe no Brasil, especialmente nas áreas de marketing e comércio eletrônico. Nosso parceiro distribuidor também alocou muitas pessoas para trabalharem com a nossa marca.
A Razer também tem uma equipe dedicada ao nosso negócio Razer Gold, que também é muito importante para nossos negócios no Brasil.
TGE: De fato o Razer Gold é um serviço que parece ter se popularizado bastante entre os brasileiros. Quais são os planos para este produto no País e por que vocês acham que ele tem feito tanto sucesso por aqui?
Adisorn Phonnarut: O Razer Gold teve uma forte adesão no Brasil graças à sua integração perfeita com métodos de pagamento locais, como PIX, carteiras digitais e cartões-presente. Também sua conexão com títulos favoritos dos fãs, como Free Fire, Valorant e Genshin Impact.
Nosso foco em oferecer uma experiência fluida e localizada, além de um suporte ao cliente robusto, fez dele a escolha preferida dos jogadores.
Olhando para o futuro, estamos comprometidos em expandir nosso portfólio com mais parcerias com jogos, novas opções de pagamento e aprimoramento contínuo da experiência de serviço para nossa comunidade brasileira.
TGE: Nos últimos anos, vocês aumentaram bastante o portfólio de produtos oficialmente disponíveis no Brasil, além de reduzir o intervalo entre o anúncio internacional e a chegada ao mercado local. O objetivo é ter todo o portfólio Razer disponível aqui em algum momento? Se sim, quando?
Ohlweiler: Não temos limites para o Brasil em nossa linha de periféricos para jogos de PC. Também trouxemos nossas linhas de produtos para Xbox, PlayStation e streaming [PC Remote Play] ao Brasil.
TGE: Os notebooks da Razer são uma ausência particularmente notável no portfólio atualmente disponível no Brasil. Alguns dos concorrentes de vocês nesse segmento chegaram há alguns anos e ainda estão por aqui. Qual é a estratégia específica para produtos de informática? Há alguma previsão para a chegada deles ao Brasil?
Ohlweiler: Nosso foco no Brasil é o segmento de periféricos, com muito potencial de crescimento e fãs para conquistar. Avaliamos continuamente se o nosso negócio de notebooks é adequado para o Brasil; mas no momento não temos planos de entrar nesse mercado.
TGE: Vocês tem investido bastante em marketing para mostrar que qualidade e tecnologia fazem parte dos produtos da Razer, o que talvez seja uma forma de justificar o preço alto dos produtos de vocês por aqui. O preço é o maior desafio de operar no Brasil? Se sim, por quê? Se não, quais são esses desafios?
Ohlweiler: A Razer faz grandes investimentos em pesquisa, desenvolvimento, design e qualidade de nossos periféricos para garantir que oferecemos a melhor vantagem aos nossos jogadores. Jogadores que querem vencer e esperam o melhor de si mesmos investem nos melhores equipamentos, portanto não vemos o preço como uma desvantagem no Brasil.
Nosso maior desafio e foco é alcançar o jogador competitivo e garantir que ele saiba o que a Razer tem a oferecer. Em setembro passado, quando estive em São Paulo, fiquei muito animado sobre falar e em demonstrar nosso teclado Huntsman V3 Pro, projetado como o melhor teclado para FPS para eSports do mundo.
TGE: Nos últimos anos e meses a Razer parece estar buscando se posicionar cada vez como uma empresa de tecnologia, não apenas uma fabricante de periféricos. Produtos como o WYVRN [plataforma que automatiza testes de jogos para desenvolvedores e marca o esforço da marca no segmento B2B] são uma demonstração disso? E até onde a empresa pode chegar com essa diversificação?
Ohlweiler: A Razer é uma empresa de tecnologia em todos os sentidos. Investimos muito em pesquisa e desenvolvimento, tanto em tecnologias subjacentes a todos os nossos produtos quanto no domínio do produto final em si. Isso engloba materiais, sensores, tecnologia de switches, tecnologia avançada de gerenciamento térmico, sem mencionar software e serviços em nuvem.
Nos últimos anos, investimos bastante em inteligência artificial e esperamos que todos os nossos produtos continuem a expandir os limites de desempenho por meio dessa tecnologia inovadora.




