Um protocolo que combina blockchain com competições de esportes eletrônicos, e que promete duas coisas: às publishers, novas formas de obter receita e, aos gamers, uma experiência mais justa e segura. Esse é o mote e principal produto da Sbarter, organização com sede na Suíça sem fins lucrativos que divulgou na semana passada sua chegada também ao Brasil.
A Sbarter propõe uma solução com “potencial para redefinir a economia dos games e criar oportunidades de crescimento”, segundo ela própria. A ideia por trás do protocolo é garantir que as competições entre pessoas dependam apenas das habilidades e, assim, viabilizar “pequenas apostas”.
Na prática, trata-se de uma carteira digital de criptoativos que assegura a identidade dos jogadores. Eles podem então fazer apostas usando essa moeda digital (o token SBT) e, quem vencer, recebe o valor acordado via contratos inteligentes baseados em blockchain. Esses valores seriam novamente convertíveis em moedas tradicionais.
As publicadoras que aderirem ao protocolo atuariam como validadoras dos resultados das partidas e, ao mesmo tempo, receberiam parte das receitas “sem interferir na jogabilidade ou na economia dos jogos”. A governança sobre essas apostas seria própria Sbarter, que faria verificações sobre identidade e localização dos jogadores. A promessa é bloquear perfis de menores de 18 anos e de regiões com restrições.
LEIA AINDA: KGeN anuncia expansão no Brasil com Wilson Neto, o ‘Xadz’, na liderança
O sistema permite criação de partidas em P2P, ou seja, os jogadores criam e gerenciam as próprias partidas. Promete ser neutro e não invasivo, não alterar jogabilidade, ou economia do jogo. Para publishers, a Sbarter funciona via API.
Nesse contexto, o Brasil aparece com destaque por ser “um dos mercados de games mais dinâmicos da América Latina”, diz Dominique Cor, diretor de marketing e chefe de parcerias da empresa, em respostas enviadas por e-mail ao The Gaming Era.
O Sbarter está previsto para ser lançado no primeiro trimestre de 2026, com competições ao vivo em títulos compatíveis – a empresa ainda não revela quais. O executivo não revela quais jogos a empresa terá no portfólio na data de lançamento, mas alega que o protocolo já é compatível “com qualquer título que produza um resultado claro e mensurável – uma vitória, uma pontuação ou um ranking”, e cita “jogos de corrida, esportes, luta, puzzle ou estratégia, em que a habilidade realmente determina o resultado”.
“… integrações com grandes publishers já estão em andamento e serão anunciadas em breve”, diz o executivo.
Quem são?
A organização foi fundada há cerca de três anos na Suíça e diz ter cerca de 40 profissionais dos setores de games, blockchain, finanças e conformidade. A Sbarter abriu na primeira quinzena de outubro uma rodada Série A de captação de € 40 milhões (cerca de R$ 250 milhões) no qual oferece seis bilhões de tokens de uma emissão total de 14 bilhões em SBTs (Sbarter), a criptomoeda emitida pela organização.
Segundo os controladores, os recursos serão usados para expandir a rede de publishers e criadores, aumentar a base de usuários e acelerar o desenvolvimento de produtos.
Em rodadas anteriores, a Sbarter diz ter captado cerca de €10 milhões (quase R$ 62 milhões) entre “investidores e parceiros” das indústrias de games e fintechs, incluindo entre os próprios fundadores da empresa. “É um forte sinal de confiança tanto na tecnologia quanto no modelo de conformidade que estamos construindo, o qual adiciona uma nova camada de monetização aos jogos ao criar valor por meio da performance – e não do gasto”, diz Cor.
“A indústria de games vem buscando novas maneiras de engajar jogadores, além dos modelos tradicionais de monetização”, diz em comunicado Alessandro Fried, presidente administrativo da Sbarter. Segundo perfil do executivo no LinkedIn, ele fez carreira no setor de apostas (bets), e fundou em 2017 a BtoBet (agora chamada Aristocrat Interactive, especialista em cassinos virtuais com sede em Malta, com a qual a Sbarter nega qualquer relação atual).
A Sbarter diz esperar atingir até 10 milhões de usuários nos primeiros cinco anos, e ser um “novo padrão para competições de habilidade regulamentadas”.




