As americanas Nvidia e Intel anunciaram nessa quinta-feira (18) um investimento de US$ 5 bilhões da fabricante de GPUs na empresa de processadores. A compra das ações ordinárias – que custaram cerca de US$ 23,30 cada – deve garantir à Nvidia uma participação de cerca de 4% na Intel, assim que o acordo for aprovado por órgãos regulatórios. A notícia fez as ações da Intel subirem mais de 20% na Nasdaq até o momento de fechamento desse texto.
O anúncio ocorre dois dias após o conglomerado financeiro japonês Softbank anunciar um aporte de US$ 2 bilhões na Intel, o que lhe conferiu 2% da companhia. E algumas semanas depois do próprio governo dos EUA comprar quase 10% da participação na fabricante de chips por US$ 11,1 bilhões. O objetivo, claro, é salvar a empresa da crise profunda que enfrenta pelo menos desde o ano passado [ver abaixo].
Além dos aspectos societários, a Intel e a Nvidia também pretendem desenvolver em conjunto “múltiplas gerações de produtos” para servidores, data centers e computadores. Esses sistemas miram sobretudo o processamento de inteligência artificial, grande consumidora de recursos computacionais, mas podem também ter implicações no mundo dos games.
Em comunicado, as empresas dizem que concentrarão esforços em conectar os chips da Nvidia e da Intel em arquitetura x86 utilizando o NVLink, tecnologia de interconexão de placas gráficas (GPUs) de alta velocidade. No mundo da computação pessoal (PCs e notebooks), a ideia é desenvolver sistemas em chip (SoCs) com chiplets de GPU da Nvidia com RTX [ray tracing].
Na prática, segundo as duas partes, esses “SoCs x86 RTX” servirão para PCs que exigem integração de ponta entre processadores (CPUs) e placas gráficas (GPUs) – exatamente o caso dos computadores para games e aplicações gráficas pesadas – e IA, claro.

“Essa colaboração histórica une estreitamente a pilha de IA e computação acelerada da Nvidia com as CPUs da Intel e o vasto ecossistema x86, uma fusão de duas plataformas de classe mundial. Juntos, expandiremos nossos ecossistemas e lançaremos as bases para a próxima era da computação”, diz em comunicado o sempre efusivo Jensen Huang, fundador e CEO da Nvidia.
Concorrência e futuro
Que tipo de produto as empresas criarão juntas ainda não se sabe, mas a parceria pode representar um salto da Intel para reconquistar o terreno perdido para a AMD no mercado de servidores e equipamentos para gamers. Nos últimos anos, a Intel perdeu parcela significativa do mercado, com grande parte dos PCs gamers mais recentes equipados com chips da concorrente tanto por fabricantes (OEMs) como pelos “montadores” de desktops.
Os esforços da marca para entrar no mercado de GPUs para jogos também parecem infrutíferos, com o mercado dominado com folga pela Nvidia – como bem demonstra o ranking mensal de placas de vídeo do Steam, em que tanto AMD como Intel aparecem em posições bem abaixo do top 10 na preferência dos jogadores.
No universo dos consoles, mais uma derrota para a Intel: a AMD está (e deve continuar) nos hardwares da Sony e da Microsoft. A empresa também foi responsável em grande parte pela criação dos PCs portáteis, como o Steam Deck da Valve e o ROG Ally, da Asus, entre tantos outros, todos com chips da AMD. O único ponto fora da curva é o Nintendo Switch – a fabricante japonesa é parceira da Nvidia.
A crise recente na Intel tem sido tão profunda que acabou em 15 mil demissões em agosto de 2024, após uma série de resultados negativos, além da aposentadoria quase forçada do antigo CEO, Pat Gelsinger.

“A arquitetura x86 da Intel tem sido fundamental para a computação moderna por décadas, e estamos inovando em todo o nosso portfólio para viabilizar as cargas de trabalho do futuro”, diz no mesmo comunicado Lip-Bu Tan, CEO da Intel desde março desse ano. “As plataformas líderes da Intel para data centers e computação, combinadas com nossa tecnologia de processos, fabricação (…) complementarão a liderança da Nvidia em IA e computação acelerada para permitir novas conquistas para a indústria.”
Ao mesmo tempo, a Intel enfrenta dificuldades para se manter relevante quando há uma guerra geopolítica sobre o desenvolvimento da inteligência artificial – o que exige (muitos) chips dedicados. Empresas chinesas, sendo a Huawei a principal delas, também têm investido suas fichas nesse mercado, desafiando a dominância da Nvidia no mercado de chips dedicados para IA.
* com informações da Folha de S.Paulo, G1, CanalTech, Tudo Celular e Exame



