Marcas que decidem trabalhar com influenciadores (ou microinfluenciadores, dependendo da estratégia), no chamado marketing de influência, podem enfrentar desafios. Encontrar o “influenciador ideal“, que se encaixe no objetivo de cada empresa, não depende só de alcance e métricas de engajamento, mas também de valores, qualidade do conteúdo e impacto na audiência.
Quem dá os conselhos é Wilson ‘xadz’ Neto, COO da Pool, agência de influenciadores criada em 2024 e que tem na carteira cerca de 100 criadores. O executivo tem mais de uma década de atuação nos setores de games, tecnologia e marketing, e já liderou projetos com grandes empresas.
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Um dos mais recentes foi uma campanha para a TCL Semp durante a Brasil Game Show de 2024. O objetivo central era divulgar os jogos Call of Duty Warzone e EAFC 25 rodando em produtos da fabricante. A agência escalou influenciadores que já se comunicavam com as comunidades alvo da TCL Semp.
Vitor Martins, CEO da Force One, e o criador Henrique ‘Santivis’ também ajudam nas cinco dicas abaixo para o “match perfeito” no marketing de influência.
1. Preserve a autenticidade
Para os especialistas, é importante trabalhar com talentos que possuem conexão real com os seguidores, sem mudar aquilo que já fideliza o público por causa de uma campanha. Para xadz, é necessário trazer naturalidade.
“Recomendar talentos baseado apenas nos números nem sempre é o caminho. É necessário que a campanha faça sentido com a linguagem que o ‘creator’ já estabeleceu com o seu público”, diz, ressaltando que sempre orienta que os influenciadores entendam o relacionamento que possuem com a comunidade, pois ela “é a base para qualquer meta que ele queira alcançar na carreira”.
2. Alinhe valores
Para garantir que a mensagem ressoe com o público, as marcas devem priorizar influenciadores que compartilhem valores, princípios, linguagem e estética com elas. Assim as campanhas serão recebidas com maior naturalidade e gerando conexão mais verdadeira com a audiência, diz Vitor Martins, da marca de periféricos gamers Force One.
“Um ‘creator’ que compartilha valores e interesses semelhantes ao seu público facilita a conexão, confiança e engajamento. Além disso, o influenciador certo pode ajudar a fortalecer a identidade da marca, aumentar a visibilidade e impulsionar as vendas, ao mesmo tempo em que traz credibilidade”, diz o executivo.
Na Force One, o objetivo é criar espaços em que o público se sinta acolhido, seja ele um profundo conhecedor de tecnologia ou um iniciante. “Quando planejamos alguma campanha, consideramos fatores como a relevância do influenciador dentro do nicho gamer, seu alcance, engajamento e a maneira como ele se comunica com seus seguidores”, explica.
3. Aposte em novos talentos
Nem sempre tamanho é documento. Influenciadores em ascensão, com audiências mais nichadas, podem gerar resultados mais significativos do que perfis com números de seguidores maiores, pondera o COO da Pool. As marcas precisam estar abertas a explorar o potencial de talentos emergentes, que frequentemente se destacam pela proximidade e conexão com os seguidores.
“Sabemos que pode ser um desafio apostar em criadores menores, mas grandes talentos se revelam todos os dias. Além disso, são muitos os casos em que criadores com números menores de seguidores conseguem uma taxa de conversão maior, já que possuem um nível de conexão profundo com sua comunidade”, diz xadz.
O executivo também lembra que influenciadores “menores” também são mais baratos e podem caber em orçamentos mais apertados.
4. Conheça o público-alvo (da marca e do influenciador)
Uma análise detalhada do público-alvo da marca e da audiência do “influenciador ideal” é fundamental para garantir que a comunicação seja eficaz, lembra Santivis. Faz parte do escopo das agências especializadas ajudar a identificar sinergias entre ambas.
“Quando faço parceria com uma marca que fala a mesma língua que eu, que tem um público parecido com o meu e trabalha com coisas que eu realmente gosto e consumo no meu dia a dia, o trabalho fica muito mais natural. O meu público se sente respeitado”, explica. “Eles sabem que as famosas ‘#publi’ fazem parte do meu dia a dia, mas também sentem que eu não vou fechar negócios que não façam sentido para a minha comunidade.”
5. Permita que o ‘creator’ crie
Uma vez escolhido o criador, é fundamental dar espaço para que ele crie de forma autêntica e de acordo com o próprio estilo. Segundo xadz, quando marcas tentam controlar demais o conteúdo do influenciador, o resultado pode soar forçado e prejudicar a imagem de ambos.
“Parece irônico, mas é muito comum que as empresas estabeleçam regras ou até mesmo roteiros que impedem o criador de conteúdo de fazer seu trabalho, que é criar. Nesse caso, o ideal é sugerir um caminho a ser seguido e deixar o influenciador à vontade para explorar a sua criatividade”, aconselha.